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Pacientes relatam reações graves após usar canetas emagrecedoras falsificadas: ‘Quase morri e não emagreci’.

     Essas reações não fazem parte do medicamento verdadeiro, mas sim das falhas graves de produção clandestina.  —  Foto: Divulgação.

Pacientes relatam reações graves após usar canetas emagrecedoras falsificadas: ‘Quase morri e não emagreci’.
Publicado no Conexão Notícia  em 12.dezembro.2025. Atualizado em 12.janeiro.2026.

Canal no WhatsApp | Pacientes relatam reações graves após usar produtos clandestinos que prometem emagrecimento rápido.
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A procura por soluções rápidas para emagrecer levou o chef Paulo Marin, de 50 anos, a buscar a tirzepatida depois de ouvir comentários animados em um salão de beleza. 

Uma amiga dizia que “todo mundo estava emagrecendo horrores”, o que bastou para que ele recebesse o contato de um suposto médico que aplicava a medicação em um consultório improvisado, sem qualquer transparência. “Nenhuma ampola era mostrada. Nenhum lote. Nenhuma receita”, relata.

Primeiros sinais de que algo estava errado

A aplicação custava R$ 250 por semana e era feita sem apresentação do frasco ou comprovação profissional. 
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Já na primeira dose, Paulo sentiu náuseas fortes, tontura, vômitos e um hematoma roxo na barriga. Mesmo assim, tentou novamente na semana seguinte, mas os sintomas pioraram — e, apesar do sofrimento, ele não perdeu nenhum peso.

Episódios anteriores ignorados pelo desespero

Meses antes, Paulo já havia experimentado outra promessa de resultado rápido: a chamada “caneta do Paraguai”, vendida por uma conhecida. Sem saber a procedência, aplicou o produto. 

“Horas depois, tontura, diarreia, vômito, enxaqueca. Fui parar no hospital. Joguei o resto fora”, relembra. Assim como muitos consumidores, ele se deixou levar pela ideia de emagrecimento fácil.

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O que há por trás das canetas clandestinas

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, as reações violentas vividas por Paulo são comuns entre usuários de produtos clandestinos. 

A endocrinologista Maria Fernanda Barca afirma que análises laboratoriais já identificaram soluções com baixa pureza, frascos sem esterilidade, insumos de origem desconhecida, tentativas imprecisas de imitar concentrações e até presença de sibutramina, proibida para uso injetável. 

Para ela, muitos problemas começam ainda na produção, feita sem higiene e com materiais de origem incerta.

Diferença drástica em relação ao medicamento verdadeiro

O endocrinologista Clayton Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein, confirma a gravidade. Testes independentes, segundo ele, revelam frascos vendidos como tirzepatida com pureza entre 7% e 14%, quando a exigência é de 99%. “É outra substância. 
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É um composto instável. Não se comporta como tirzepatida e não tem como gerar o efeito terapêutico esperado”, explica. A discrepância deixa o paciente vulnerável a riscos imprevisíveis.

Quando a manipulação se torna ilegal

Embora o Brasil permita manipular tirzepatida, a prática exige regras rígidas impostas pela Anvisa: pureza comprovada, rastreabilidade, ambiente estéril, frascos destinados a um único paciente e prescrição individual. 

Essas normas, porém, não são seguidas no mercado clandestino. “Quando o produto sequer contém tirzepatida — ou traz ingredientes não declarados — estamos diante de falsificação”, afirma Barca. Para o consumidor, essa diferença é invisível, mas para o corpo, é decisiva.

O perigo das ofertas baratas

A aposentada Ivete de Freitas, 69 anos, também acreditou em uma oferta mais econômica. Embora tivesse prescrição legítima de Mounjaro, decidiu comprar de um conhecido que dizia importar o produto da Argentina. 
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O frasco chegou sem nome comercial e com composição duvidosa. Mesmo desconfiada, aplicou a dose e, minutos depois, seu corpo começou a apresentar manchas vermelhas. 

“Parecia sarampo, subiu da cintura para o pescoço”, relatou. Ainda aplicou mais quatro vezes, até perceber que o quadro se agravava.

Reações graves que não existem no medicamento original

Segundo a endocrinologista Maria Fernanda Barca, os sintomas de Ivete são típicos de substâncias contaminadas ou adulteradas. 

Além das manchas, pacientes podem apresentar surtos psicóticos, diverticulite e, em casos extremos, risco de morte. A tirzepatida falsificada expõe o organismo a impurezas, solventes inadequados e fragmentos químicos resultantes da degradação do produto.
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Impactos diretos no organismo

Produtos irregulares podem causar vômitos persistentes, náuseas incapacitantes, diarreia intensa, desidratação e queda brusca de pressão

Essas reações não fazem parte do medicamento verdadeiro, mas sim das falhas graves de produção clandestina. 

Sem esterilidade adequada, há risco de abscessos, febre e infecções sistêmicas. Alterações químicas podem provocar tontura extrema, taquicardia, arritmias e cefaleias incapacitantes.

O risco silencioso das doses irregulares

A instabilidade química dos produtos falsificados dificulta controlar a dosagem. Concentrações elevadas podem provocar hipoglicemia e confusão mental; doses baixas simplesmente não funcionam, levando usuários a aumentar a aplicação por conta própria

Outro ponto crítico é a perda de estabilidade quando o produto não é mantido sob refrigeração adequada, levando o corpo a reagir a subprodutos tóxicos.
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Doenças sem tratamento adequado

Além dos riscos imediatos, há um perigo menos evidente: a falsa sensação de tratamento. Quem usa canetas clandestinas acredita estar cuidando da obesidade ou do diabetes, quando na verdade continua sem o controle necessário. Esse atraso compromete o tratamento, agrava quadros cardiovasculares e prejudica a saúde metabólica.

Posicionamento da fabricante

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, reforça que não autoriza a produção ou a venda do medicamento por farmácias de manipulação, nem comercializa versões a granel, multidoses ou avulsas. 

Qualquer solução líquida vendida fora dos canais oficiais deve ser considerada falsificada. A empresa afirma ter encontrado substâncias desconhecidas, impurezas e até misturas com estimulantes em análises recentes. 
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“A integridade química e microbiológica desses produtos não pode ser garantida”, informa a nota. A Lilly reitera que o Mounjaro legítimo só é vendido em canetas descartáveis, lacradas, rastreáveis e mediante prescrição. 


Fonte: Conexão Notícia com informações do G1.i

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