Aos 21 anos, filha de diarista e cobrador de ônibus é aprovada em medicina na USP e Unicamp - Conexão Notícia

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Aos 21 anos, filha de diarista e cobrador de ônibus é aprovada em medicina na USP e Unicamp

   Monaliza, seu pai João Ávila e sua mãe Adriana Ávila. —  Foto/Reprodução.

Aos 21 anos, filha de diarista e cobrador de ônibus é aprovada em medicina na USP e Unicamp
Publicado no Conexão Notícia em 29.mar.2021.  

Solidariedade | Moradora de Paulínia, Monaliza Ávila ficou com a quinta colocação na USP, mas vai fazer a graduação na universidade de Campinas. Apoio e esforço dos pais foi fundamental na trajetória.

Monaliza Ávila se tornou uma das 3.247 pessoas aprovadas neste ano em um dos 69 cursos de graduação da Unicamp. A conquista ocorreu logo no curso mais concorrido do vestibular, o de medicina.

Filha de uma diarista e um cobrador de ônibus, a estudante de 21 anos foi aprovada em 5º lugar na Universidade de São Paulo (USP) para medicina e conseguiu também a vaga no mesmo curso na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A moradora de Paulínia (SP) conta que estudou durante toda a vida em escolas públicas. No ensino médio, cursou um colégio técnico e conciliou as aulas regulares com a formação em informática. Entretanto, sabia que não seguiria na área e, por influência de uma professora, conheceu o campus da Unicamp, em Campinas, onde ficou encantada com medicina.

Fui descobrindo que aquele seria um caminho em que eu me sentiria realizada e poderia aprender mais sobre o ser humano e devolver isso de forma direta para a sociedade.

Aprovação de estudantes de escola pública tem alta em 2021 e chega a 49,8% do total de convocados na Unicamp

Ao terminar o ensino médio em 2016, Monaliza conseguiu, por meio de prova, uma bolsa de estudos em um cursinho particular específico para vestibulares de medicina. Ela relata que a preparação sempre foi pesada.


Minha rotina de estudos no cursinho era das 7h às 21h de segunda a sexta, e no sábado tinha aula de manhã. Também fazia simulados em alguns finais de semana, e eu ia em praticamente todos.

A carga horária de estudos chegava a 12h diárias — Foto: Arquivo pessoal

Sonho com Unicamp e apoio dos pais
Entre 2019 e 2020, Monaliza foi aprovada nos vestibulares da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Apesar das conquistas, não deixou de almejar a Unicamp.

Para os vestibulares de 2021, Monaliza fez os vestibulares da USP e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) pela primeira vez, testes que serviram como uma forma de diluir a ansiedade para a prova da Unicamp. Essa seria a quinta tentativa de passar em medicina na universidade de Campinas. Neste ano, 33.918 estudantes disputaram 110 vagas, concorrência de 308 candidatos/vaga.

Monaliza conta ainda que teve percalços financeiros em sua trajetória, mas teve ajuda da família para superá-los. 

Meu pai sempre foi muito organizado com as contas e minha mãe sempre conseguia achar alternativas pra que eu pudesse passar o dia no cursinho. Eu levava tudo de casa: almoço, lanches. Não precisava ter gasto externo, só com a passagem.

A estudante ressalta a gratidão pelo apoio recebido dos pais

Meus pais não tiveram a oportunidade de estudos e não concluíram nem o ensino fundamental. Meu irmão fez faculdade de ciências da computação com a bolsa da prefeitura e hoje já é formado e trabalha na área.

Apesar do pouco estudo, meus pais sempre tiveram a consciência da importância dele tanto para mim, quanto para o meu irmão e sempre nos incentivaram desde os primeiros anos na escola.

Ao término dos anos de cursinho e atingindo seu objetivo, ela se diz agradecida pela ajuda externa da família e dos profissionais do cursinho onde estudou.

Um ponto fundamental foi entender o meu caminho como um processo, que teria um inicio, um meio e um fim, e que eu só não conseguiria se eu desistisse, afirma.

Por Rafael Smaira*, G1 Campinas e Região



Não é a farda que determina o caráter... É o caráter que faz a farda"

   Soldado Gustavo e jovem trabalhador. —  Foto/Reprodução.

Está circulando nas redes sociais a história do soldado Gustavo, que foi chamado pelo proprietário de um estabelecimento comercial, para retirar do local um jovem pedindo dinheiro.

O policial respondeu à ocorrência, mas não da forma como temos visto, nestes meses pandêmicos: agentes prendendo, violentamente, trabalhadores. Leia a matéria completa, aqui!


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