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Peninha indiciado por discriminação religiosa: o que ele disse, o que a lei prevê e o que vem a seguir.


           Com o inquérito contra Eduardo Bueno concluído, o caso está nas mãos do Ministério Público Federal.   —  Foto/Reprodução/Youtube.
 
Peninha indiciado por discriminação religiosa: o que ele disse, o que a lei prevê e o que vem a seguir.
Publicado no Conexão Notícia  em 10.maio.2026. Atualizado em 14.maio.2026.

Canal no WhatsApp |  O jornalista Eduardo Bueno publicou um vídeo em janeiro sugerindo que evangélicos não deveriam votar. Quatro meses depois, a polícia concluiu que isso é crime. A defesa discorda. Agora, o Ministério Público decide, segundo o Portal Poder360.
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Quem é Eduardo Bueno, o Peninha

Eduardo Bueno tem 67 anos, nasceu em Porto Alegre e construiu uma carreira sólida como jornalista, escritor, tradutor e youtuber. É formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor de mais de 30 livros — ficou nacionalmente conhecido pela série Coleção Brasilis e pela obra Brasil: Uma História.

Seu canal no YouTube, o Buenas Ideias, reúne mais de 1,5 milhão de inscritos e é um dos maiores canais de história do Brasil na plataforma. O estilo é assumidamente ácido e provocador — característica que ele próprio usa como marca registrada e que, desta vez, o colocou diante de um inquérito policial.
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O vídeo, as palavras e a repercussão

Em 28 de janeiro de 2026, Peninha publicou um vídeo em seu canal comentando um raio que caiu durante uma manifestação liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (MG). 


No conteúdo, o jornalista afirmou que evangélicos não deveriam ter direito ao voto e acrescentou que deveriam ficar nos cultos "pastando junto com o pastor". Também classificou integrantes da religião como "nefastos e desprezíveis".

O vídeo saiu do ar por determinação judicial, após representação da própria Polícia Civil gaúcha. A notícia-crime que originou a investigação foi registrada pelo vereador de Porto Alegre Tiago Albrecht e pela deputada federal suplente Sâmila Monteiro, ambos do partido Novo.
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O indiciamento e a lei aplicada

Na quinta-feira, dia 7 de maio de 2026, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito e indiciou Eduardo Bueno. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância

O delegado responsável pelo caso enquadrou a conduta do jornalista no artigo 20, parágrafo 2º, da Lei Federal 7.716/1989 — a mesma legislação utilizada em crimes de racismo, que é inafiançável e imprescritível.
           Jornalista Eduardo Bueno.   —  Foto/Reprodução/Youtube.

O entendimento da polícia é que defender publicamente a retirada de direitos políticos de um grupo com base em sua religião configura discriminação religiosa e não está protegido pela liberdade de expressão. Durante o depoimento, Peninha permaneceu em silêncio, por orientação de sua defesa.

O que diz a defesa

Os advogados Alexandre Wunderlich e Camile Eltz de Lima divulgaram nota afirmando que as declarações ocorreram "dentro dos limites legais do exercício da liberdade de expressão e da manifestação do pensamento". 
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A defesa sustenta que se tratou de "crítica abstrata" com "clara finalidade jocosa" e nega que tenha ocorrido preconceito à liberdade religiosa. 

A equipe jurídica também argumenta que o caso deveria tramitar na esfera federal, questionando a competência da Polícia Civil gaúcha, e afirma que o indiciamento "será revisto no Judiciário".

O próprio Peninha, após o indiciamento, publicou um vídeo no Instagram afirmando que há delegado "que quer mídia". 

Anteriormente, ao explicar o vídeo original, ele disse que seu canal é "repleto de metáforas e exageros" e que não quis dizer "exatamente" que evangélicos não deveriam votar — mas reafirmou que as escolhas eleitorais da maioria desse grupo seriam "retrógradas e nefastas".

O contexto mais amplo: quem são os evangélicos no Brasil

O indiciamento envolve um grupo que representa parcela expressiva da população brasileira. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em junho de 2025, mostram que os evangélicos somam mais de 26% dos brasileiros — cerca de 50 milhões de pessoas
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Em 2010, esse percentual era de 21,7%. Aproximadamente um em cada quatro brasileiros se declara evangélico, o que torna qualquer discussão sobre direitos políticos desse grupo uma questão com alcance eleitoral e social significativo.

Investigação paralela na Polícia Federal e pressão política

O caso não tramita apenas no âmbito estadual. Existe uma investigação em andamento na Polícia Federal de Porto Alegre relacionada ao mesmo vídeo. 

No campo político, o deputado estadual Leonardo Siqueira (SP) protocolou representação no Ministério Público de São Paulo pedindo apuração por possível discurso de ódio e intolerância religiosa — embora não haja, até o momento, notícia de tramitação efetiva desse pedido.

Este não foi o primeiro episódio polêmico

O vídeo sobre evangélicos não surgiu no vácuo. Em setembro de 2025, Eduardo Bueno enfrentou onda de críticas ao comentar a morte do ativista conservador americano Charlie Kirk, assassinado nos Estados Unidos. 
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Na ocasião, afirmou que era "terrível um ativista ser morto por ideias, exceto quando é Charlie Kirk" — e apareceu sorrindo e batendo palmas durante a fala. Após a repercussão negativa, publicou vídeos se explicando, negou ter celebrado a morte e disse que "errou na forma" ao falar de uma "figura horrorosa e desprezível".

O que acontece agora

Com o inquérito concluído, o caso está nas mãos do Ministério Público Federal, que irá avaliar se apresenta ou não denúncia formal à Justiça. Se o MPF optar pela denúncia e a ação penal avançar, Peninha poderá ser processado por um crime inafiançável e imprescritível. A defesa já sinalizou que contestará o caso judicialmente. 

O desfecho dependerá, entre outros fatores, de como o Judiciário interpretará a fronteira entre liberdade de expressão e discriminação religiosa — debate que este processo promete aprofundar de forma inédita no Brasil.
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Fonte: JASB.
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