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Nelson Teich classifica de ‘deselegante’ críticas de Mandetta à sua gestão

 Nelson Teich lamentou críticas de Mandetta. —  Foto/Reprodução/Alan Santos/PR Folhapress. 


Nelson Teich classifica de ‘deselegante’ críticas de Mandetta à sua gestão
Fonte:  Exame —  Publicado no CN - Conexão Notícia em 19.maio.2020.   

Ministério da Saúde  - SÃO PAULO – O ex-ministro Nelson Teich (Saúde) chamou de deselegante seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, por críticas feitas à sua gestão. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada na segunda-feira, 18, Mandetta disse que a pasta é ‘uma nau sem rumo’.

“Em 28 dias à frente do MS (Ministério da Saúde), por mais difícil que fosse a situação, nunca expus gestões anteriores”, escreveu Teich, no Twitter.

“Acho muito deselegante um ex-ministro criticar seu sucessor e acredito que esse tipo de condução só aumenta a polarização e o desgaste, prejudicando desta forma, o país inteiro”, afirmou.

O oncologista pediu demissão na sexta-feira, 15, em meio ao aumento de casos e mortes pelo novo coronavírus no Brasil. O médico deixou a pasta por resistir a mudanças no protocolo para uso da cloroquina no tratamento da Covid-19.

Mandetta saiu do ministério no dia 17 de abril. Ele também se chocou com o presidente Jair Bolsonaro na recomendação do remédio, além de discordar em relação às políticas de isolamento. À Folha de S.Paulo Mandetta afirmou que a gestão do antecessor fez da pasta “uma nau sem rumo”. “Foram 30 dias de um ministério ausente”, disse.

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“Vi a entrada de um número grande de militares. Eles têm conhecimento de logística, de operações. Mas não trabalham com o SUS. O sistema de saúde dos militares é de hospitais próprios, de baixa resolutividade e com plano de saúde. Não vi ninguém com experiência com o SUS na equipe nova. O próprio ministro não tinha experiência”, afirmou Mandetta. No Twitter, Teich se queixou do antecessor, sem citar a entrevista à Folha de S.Paulo.

Teich afirmou ter deixado prontos quatro planos de ações: 1) Programa Diagnosticar para Cuidar; 2) estratégias de gestões de riscos; 3) criação de unidades de suporte ventilatório; 4) projeção de ação na linha de frente.
Na postagem, Teich afirmou que, “nessa época de caos e incertezas”, ações que tirem o foco do enfrentamento à pandemia do novo coronavírus devem ser evitadas.

“O Brasil precisa se unir para que juntos encontremos a melhor maneira de lutar. Confrontos desnecessários só prejudicam o Brasil e todos nós, brasileiros”, escrevei Teich.

À Folha de S.Paulo Mandetta afirmou ainda que a exigência de Bolsonaro de ampliação do uso de cloroquina para pacientes com quadro leve do novo coronavírus pode elevar a pressão por vagas em centros de terapia intensiva e provocar mortes em casa por arritmia. Ele disse resultados iniciais de estudos que recebeu ainda no governo já indicavam riscos no uso do medicamento.

“Começaram a testar pelos (quadros) graves que estão nos hospitais. Do que sei dos estudos que me informaram e não concluíram, 33% dos pacientes em hospital, monitorados com eletrocardiograma contínuo, tiveram que suspender o uso da cloroquina porque deu arritmia que poderia levar a parada (cardíaca)”.

Mandetta afirmou ver na pressão de Bolsonaro pela cloroquina uma tentativa de estimular o retorno das pessoas ao trabalho. Para o ex-ministro, contudo, o país atravessou até o momento apenas um terço da crise e deverá ter pelo menos mais 12 semanas duras adiante.



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