Redes Sociais

Header Ads

OMS condena o lockdown: não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os líderes contra confiar nos lockdowns para combater os surtos.  —  Foto/Reprodução.

OMS condena o lockdown: não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres
Publicado no Conexão Notícia em 13.out.2020.  

Coronavírus | O Dr. David Nabarro, da OMS, apelou aos governantes para pararem de “usar lockdown como seu método de controle primário” do vírus da Covid. “Os lockdowns tem apenas uma consequência que você nunca deve menosprezar: torna os pobres muito mais pobres”.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os líderes contra confiar nos lockdowns para combater os surtos – após ter dito anteriormente que os países deveriam ter cuidado com a rapidez com que reabrem.

O Dr. David Nabarro, ex-candidato do Reino Unido para chefiar a OMS e atual Enviado Especial para Covid-19 da organização, disse que tais medidas restritivas devem ser tratadas apenas como último recurso.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus - 18/08/2020 Salvatore Di Nolfi/EFE.  —  Foto/Reprodução.

Em entrevista à Andrew Neil, da revista britânica The Spectator, Nabarro afirmou que a única coisa que os lockdowns conseguiram foi pobreza – sem nenhuma menção ao potencial de vidas salvas.

“Nós, na Organização Mundial da Saúde, não defendemos os lockdowns como o principal meio de controle desse vírus”, disse o Dr. Nabarro.

“A única vez em que acreditamos que um lockdown se justifica é para ganhar tempo para reorganizar, reagrupar, reequilibrar seus recursos, proteger seus profissionais de saúde que estão exaustos, mas, em geral, preferimos não fazer isso”, disse o Enviado Especial da OMS.

No mês passado, Nabarro disse aos parlamentares do Comitê de Relações Exteriores do Reino Unido que “medidas de contenção” levariam a “grandes aumentos na pobreza, fome, desemprego e assim por diante”. Agora ele alertou a The Spectator para “uma catástrofe global horrível” que está se desenrolando.

Nabarro disse que há danos significativos causados por lockdowns rígidos, com impacto global devastador nos níveis de pobreza, especialmente nas economias mais pobres que estão sendo afetadas indiretamente.

“Basta olhar para o que aconteceu com a indústria do turismo no Caribe, por exemplo, ou no Pacífico porque as pessoas não estão tirando férias”, disse.

“Veja o que aconteceu com os pequenos agricultores em todo o mundo. ... Veja o que está acontecendo com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Podemos muito bem ter pelo menos o dobro da desnutrição infantil”, destacou Nabarro.

O contexto nos países pobres é muito diferente das nações mais ricas, pois pode levar à fome.

"A ONU chama de 'catástrofe humanitária global', com mais de 130 milhões de pessoas em risco de passar fome este ano, a maior tragédia da pandemia: como a corrida para o lockdown desencadeou um desastre épico causado pelo homem que leva a milhões de mortes desnecessárias?", questiona Ian Birrell, da publicação britânica iNews.

Anteriormente, a agência da ONU tinha recomendado o lockdown e se posicionado contra a suspensão das restrições durante a primeira onda do vírus da Covid-19.

O Diretor-Geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, não conseguia parar de elogiar a resposta draconiana da China no início desta pandemia e alertou repetidamente contra o levantamento dos lockdowns muito cedo.

“A última coisa que qualquer país precisa é abrir escolas e empresas, apenas para ser forçado a fechá-los novamente por causa de um ressurgimento”, dizia Tedros.

“Precisamos chegar a uma situação sustentável em que tenhamos controle adequado deste vírus sem suspender inteiramente nossas vidas, ou cambalear de um lockdown para outro – o que tem um impacto extremamente prejudicial para as sociedades”, reconheceu o chefe da OMS.

Nabarro está defendendo uma nova abordagem para conter o vírus SARS-CoV-2.

“Realmente apelamos a todos os líderes mundiais: pare de usar o lockdown como seu método de controle primário. Desenvolva sistemas melhores para fazer isso. Trabalhem juntos e aprendam uns com os outros”.

"No final, o governo tem que assumir a responsabilidade por equilibrar o que pode ser visto como uma compensação entre a saúde e a economia".

"Nossa linha é dizer que seja temporário", seja o que for necessário fazer, porque "esse vírus vai estar por aí por muito tempo". É preciso descobrir como "manter a economia funcionando e manter o número de casos baixo", disse o Dr. Nabarro.
No domingo passado (4), Nabarro disse ao Financial Times que lidar com a crise do coronavírus no Reino Unido “não será o caso de todos serem vacinados”.

“Haverá uma análise definitiva de quem é a prioridade da vacina, com base em onde moram, sua ocupação e sua faixa etária”, disse Nabarro. “Não estamos fundamentalmente usando a vacina para criar imunidade da população, estamos apenas mudando a probabilidade das pessoas serem lesionadas ou sofrerem”.

É amplamente aceito que qualquer vacina contra a Covid-19 apenas limitará os danos causados pela doença, não prevenindo a transmissão do vírus.

O primeiro lockdown

A primeira decretação de lockdown ocorreu em Wuhan, China, após protestos de populares insatisfeitos com a condução do surto pelas autoridades públicas. Para preservar o regime, os dirigentes do Partido Comunista da China (PCC) substituíram os governantes da cidade e da província, em 13 de fevereiro de 2020, e foi instituído imediatamente lockdown total, com características de estado de sítio e de prisão domiciliar da população, enquanto o departamento de publicidade do PCC enviava mais de 300 repórteres a Wuhan para "fornecer forte apoio à opinião pública". Não eram apenas vidas e a economia que estavam ameaçadas pela Covid-19. A crise de saúde pública da China poderia abalar a confiança do povo no sistema de governo centralizado e autoritário. O Presidente Xi Jinping disse na época que o  governo precisava intensificar a propaganda e fortalecer o controle da mídia on-line para manter a estabilidade social em meio à crise, publicou a agência de notícias estatal Xinhua.

*Com informações da The Spectator, New York Post, iNews, The Financial Times, Xinhua
Foto: Arquivo/Agência Brasil

Conteúdo relacionado:

Postar um comentário

0 Comentários