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Agentes de Saúde: Sem eles não tem cuidado! Conheça o trabalho dos Agentes de Saúde na pandemia.

Érica e Leandra são Agentes de Saúde do Centro Municipal de Saúde Vila do João.  —  Foto/Reprodução.

Agentes de Saúde: Sem eles não tem cuidado! Conheça o trabalho dos Agentes de Saúde na pandemia.
Publicado no Conexão Notícia em 09.out.2020.  

Agentes de Saúde |  No último dia 4/10 foi comemorado o Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), categorias fundamentais no fortalecimento da saúde pública brasileira.

Infelizmente os ACS/ACE ainda são muito explorados por maus gestores e por algumas lideranças que deveriam representar os agentes, mas terminam por aceitar privilégios oferecidos por maus gestores públicos municipais. Felizmente nem toda liderança aceita cargos comissionados para os seus familiares e/ou amigos, nem dinheiro para serem permissivos com os direitos não garantidos da categoria.

Em pesquisa realizada pelo JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil ficou comprovado que apenas três, de cada dez ACS/ACE conseguiram garantir os seus direitos fundamentais. Frequentemente ouve-se lideranças afirmando que a categoria é "forte, aguerrida etc.", que é a única categoria que conseguiu mudar a constituição várias vezes, mas, isso é um discurso ilusório, já que mais de 222 mil ACS/ACE sofrem com a falta de garantia de direitos. Entre 2014 e 2021, totalizando 7 anos, os agentes somente tiveram um reajuste, dividido em três parcelas, ao longo de três anos. Como alguém pode produzir ilusões, falar em avanços com uma realidade absurda dessa? Será que acreditam mesmo que os agentes não notam que estão sendo iludidos com pessoas que apenas fortalecem o sistema opressor? 

Texto de Thaís Cavalcante

Receber acompanhamento de saúde em casa parece coisa de novela. Para a população de favela então, onde os serviços básicos custam a chegar, quase sonho. Essa é justamente a proposta do Programa de Agentes Comunitários de Saúde, que existe há mais de 30 anos para fortalecer o acesso da população mais vulnerável ao Sistema Único de Saúde (SUS).  

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O programa foi implementado pelo Ministério da Saúde, cobre hoje 70% da população do país e integra as equipes de Atenção Primária. O Agente Comunitário de Saúde (ACS) é o profissional que tem o primeiro contato com o paciente antes de chegar ao hospital, em que é possível identificar os casos suspeitos de coronavírus, resolver as situações de infecção que apresentem sintomas leves e até conter o agravamento dos casos. 

Dedicados a exercer esse papel tão importante, nem dá tempo de comemorar. Neste domingo, dia 4 de outubro, é o Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde. Eles seguem na missão de estar próximo das pessoas, mesmo longe fisicamente. E não são poucos: cerca de 265 mil espalhados pelo Brasil. No município do Rio de Janeiro, esse trabalho é feito por mais de 4 mil Agentes.

Assim que a pandemia começou, os ACS receberam uma cartilha de recomendações para entender suas ações frente à pandemia. O material foi feito pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde, equipe na qual os agentes fazem parte. Passar a informação certa para os moradores foi a principal estratégia orientada, além de promover a qualidade de vida às famílias, através de ações individuais ou coletivas. Seja na prevenção de doenças, acompanhando a reabilitação, cadastrando no sistema, orientando sobre os serviços disponíveis e outros. Além de ser obrigatório o distanciamento, a higienização das mãos e o uso de equipamentos de proteção.

Cuidando mesmo de longe

O Conjunto de Favelas da Maré lidera o número de covid-19 confirmados no Rio de Janeiro em territórios periféricos com 1.667 casos e 126 mortes, segundo levantamento do Painel Unificador covid-19 nas Favelas (02/10/20). Érica da Silva, Agente Comunitária do Centro Municipal de Saúde da Vila do João, na Maré, trabalha há seis anos e pela primeira vez precisou diminuir a visita domiciliar  e a circulação pelas ruas, becos e vielas. 

“Nossa rotina de trabalho mudou, né. Estamos mais presentes dentro na unidade [de saúde] passando informações de prevenção aos pacientes. No início, eles ficaram muito confusos, então esse trabalho é fundamental para ajudar as pessoas e atender suas necessidades, de alguma forma”, conta.

Ela lembra ainda que, em sua rotina antes da pandemia fazia curativos, preparava vacinação, acompanhava a melhora de pessoas debilitadas e demonstrava um cuidado enorme em cada visita. Agora o trabalho remoto é prioridade, com informações passadas na própria unidade de saúde ou por telefone. Já os pacientes da classificação de risco, como gestantes, idosos ou acamados, continuam com acompanhamento e cadastro presenciais, sem que o ACS entre no domicílio.

Leandra Santos, ACS do Centro Municipal de Saúde da Vila do João, concorda com a colega. 

“Nesse momento de pandemia foi um pouco delicado, porque a gente que está de frente tem uma outra visão, muitas pessoas não têm noção da proporção do problema. Tinha bastante dúvida sobre a pandemia, medo… esclarecer isso foi fundamental”, declara.

Leandra é uma das agentes mais antigas da unidade, são 17 anos de trabalho

“Como sou moradora, ser Agente de Saúde me deu a oportunidade de aproximar a minha comunidade dos serviços. Lembro que minha primeira área de trabalho foi na rua em que morava. Os meus usuários eram meus vizinhos, pessoas que me viram crescer. A gente acaba construindo uma grande família. Acompanhamos a gestação e até nos apegamos às crianças. Acredito que somos o elo da comunidade com a unidade de saúde”, conta.

Para ser um agente é preciso morar no território em que vai atuar, ter concluído o ensino fundamental e realizado um curso de qualificação básica da área. Mais do que isso, ela garante que é preciso disposição e dedicação para viver a profissão 24 horas. Seja na feira, no mercado e até no barzinho.

Maré Notícias, Por Thaís Cavalcante
Foto: Matheus Affonso

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