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Sleeping Giants é formado por casal que vive de auxílio emergencial

Sleeping Giants é formado por casal que vive de auxílio emergencial. Ambos revelaram suas identidades ao jornal Folha de S. Paulo—  Foto/Reprodução.

Sleeping Giants é formado por casal que vive de auxílio emergencial
Publicado no Conexão Notícia em 13.dez.2020.  

Auxílio Emergencial  Sleeping Giants, uma página no Twitter que tenta desmonetizar os sites de direita, pregando o boicote publicitário, é formada por um casal de 22 anos de Ponta Grossa, interior do Paraná. Ambos revelaram suas identidades ao jornal Folha de S. Paulo.

Leonardo de Carvalho Leal e Mayara Stelle moram com os pais e são namorados desde os 15 anos. Ele era motorista de Uber até que teve o carro batido no início do ano. Ela era vendedora de maquiagens até que a epidemia da Covid-19 fechou os salões de beleza em Ponta Grossa.

Estudantes de direito do sétimo período de uma faculdade federal da cidade, ambos vivem hoje do auxílio emergencial que o governo concede a milhões de brasileiros.

“Todos esses sites são de direita. Isso é uma coincidência ou vocês são de esquerda?”

 
Stelle: A gente não olha se o site é de esquerda ou de direita. Infelizmente, sabemos que o discurso de ódio está presente em todos os espectros políticos. O que acontece é que, nesse momento, não dá para negar que a extrema direita tem um alcance de desinformação muito maior que a esquerda. Mas as fake news estão, sim, presente em sites de esquerda. Tivemos um caso agora do Porta dos Fundos, que é conhecido como um canal de esquerda, e fez um vídeo claramente misógino.

Leal: Achamos que tínhamos que alertar o Porta dos Fundos sobre o erro que eles fizeram. Assim fizemos e logo depois eles excluíram o vídeo. Então, o Sleeping não é movimento de cancelamento. A qualquer momento você pode retificar um erro, como fez o Porta dos Fundos ao excluir a esquete, que era supermachista.
 
Stelle: A questão é que o alcance dos sites de direita é muito grande. O Jornal da Cidade Online, por exemplo, tinha ou tem 40 milhões de acessos por mês. É um número assustador, considerando que eles propagavam desinformação sobre a pandemia.

Leal: O Jornal da Cidade Online é a página de notícias do Facebook que tem maior engajamento sobre o coronavírus. Mais do que a Globo, do que a Folha, do que o Estadão. Quanto mais acesso o site tem, mais dinheiro ele vai ganhar. Então, os dois critérios são muito objetivos: a quantidade de conteúdo fake e o alcance que esse conteúdo tem.

Existe uma coisa que é mentira, tipo “detergente cura coronavírus”. Agora, como definir o discurso do ódio? Para muita gente, o que o Olavo de Carvalho diz não é um discurso de ódio. Ao contrário, ele é o único cara que fala a verdade sobre o Brasil. Então, a gente pode estar diante de uma divergência de pontos de vista. Qual é o corte para isso?

Stelle: O discurso de ódio é uma coisa subjetiva, mas ele busca reprimir ou intimidar uma pessoa sobre determinadas características inerentes a ela. Promove racismo, misoginia, machismo, xenofobia, sinofobia. É um discurso que intimida uma minoria. O Sleeping não quer calar ninguém. Somos completamente a favor da liberdade de expressão, inclusive usamos ela para alertar as empresas. O Olavo tem todo o direito de falar e de ter seu espaço para suas ideias. O Sleeping só alerta as empresas, e elas decidem se querem tirar o anúncio daquele conteúdo ou não.

Mas não acham que criam um constrangimento público para as empresas?

Leal: Não. Se estivessem constrangidas não agradeceriam publicamente o nosso alerta. As próprias empresas também são alvo de fake news. O próprio Olavo propagou uma que dizia que a Pepsi adoçava o refrigerante com fetos abortados. Quanto dinheiro a Pepsi está gastando para conseguir uma imagem, uma marca com muita história, e vem essa história “se você toma a Pepsi, você é um abortista terceirizado”. Por isso que as empresas são nossas aliadas.

Por isso que as empresas são nossas aliadas. A Band já foi alvo de fake news também, que dizia que ela tinha sido comprada pelo Partido Comunista chinês. A gente achou a Natura patrocinando conteúdo que era contra a própria propaganda dela. Gastaram para fazer uma propaganda de Dia das Mães, se não me engano, e estava anunciando em uma matéria machista que criticava a propaganda da Natura [por ser feminista]. A gente não constrange ninguém. A gente pergunta. As empresas têm o direito de saber para quem estão dando dinheiro.

Fazendo uma provocação, não acham que estão intimidando, por exemplo, o Olavo de Carvalho?

Leal: O Olavo de Carvalho tem um discurso que diz que a Globo ou a Folha devem ser fechadas e aí o Brasil viraria um lugar legal. Ele tem uma frase que diz que a imprensa deve ser tratada igual cachorro, a pontapés. Que estar na presença de jornalistas é estar na presença da pior espécie do mundo. Isso é um discurso de ódio, que visa quem você é, direcionado a essa minoria.

Mas ele tem o direito de achar que os jornalistas são isso aí.

Leal: Sim, mas as empresas têm o direito de não querer pagar por esse conteúdo.

Stelle: Não podemos tolerar a intolerância, digamos assim. Até onde vai o direito do Olavo de ofender as pessoas e ganhar dinheiro com isso? O SG não está promovendo nenhum ataque ao Olavo. Nós só perguntamos às empresas que estão vinculadas a ele se elas querem continuar pagando aquele conteúdo.

Vocês trabalham por meio do Twitter e do Instagram. Essas empresas são as responsáveis por destinar o dinheiro dos anúncios para o site x ou y. E elas ganham dinheiro ao fazerem essa ponte. Por que as big tech não estão entre os alvos de vocês?

Stelle: Esse debate é muito atual. Nós somos muito novos na internet e fizemos uma escolha de focar nos donos do dinheiro. Acredito que haja gente mais capacitada e experiente para iniciar esse debate nesse momento.

Vocês têm um poder imenso nas mãos hoje. Não há o risco de vocês atacarem alguém simplesmente por não gostaram dele?

Stelle: Nós não escolhemos nenhum alvo. O único alvo é a desinformação e o ódio. Se alguém publica isso, achamos completamente justo ela ser desmonetizada. Não é questão pessoal. Se a pessoa parar de escrever fake news, apagar o que já escreveu e pedir desculpas, deixa de ser uma pessoa que pode ser escolhida pelo Sleeping Giants Brasil.

O que acham de empresas brasileiras que trabalham com ditaduras que desrespeitam os direitos humanos?

Leal: Nesse momento não temos estrutura. A saída do anonimato pode abrir inúmera portas e no futuro podemos trabalhar em outras áreas, como essa.

Elogiar a ditadura militar é discurso de ódio ou liberdade de expressão?

Leal: Elogiar a ditadura é opinião, mas dizer que ela não existiu é fake news. Se tiver um site promovendo a ditadura militar, nós vamos atuar. No caso do grupo paramilitar da Sara Winter, ela iria receber R$ 80 mil por meio de um crowdfunding. Nós fomos até a empresa de crowdfunding e alertamos que a campanha dela estava em desacordo com seus termos de uso, que não admitia discurso de ódio, por exemplo. A empresa cancelou a campanha e não repassou o dinheiro.

É a mesma situação do Olavo de Carvalho em relação ao PayPal e ao PagSeguro, certo? Vocês pressionaram para essas plataformas de pagamento cancelarem as contas dele. Essas contas eram usadas para ele receber o pagamento por suas aulas online, certo?

Stelle: Sim. O PayPal cancelou a conta dele em agosto. A PagSeguro publicou nota em que dizia que era contrária à fake news e ao discurso de ódio, mas que estava impedida de realizar o bloqueio de um usuário: “Instituições de pagamentos devem garantir acesso não discriminatório aos seus serviços e liberdade de escolha dos usuários finais”.

Leal: Os termos de uso dizem que é terminantemente proibido que seus clientes usem “linguagem ou imagem ou transmitir ou propagar mensagem ou material que denotem ou promovam o preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem, ou que incitem à violência ou ao ódio”. Acreditamos que a PagSeguro está muito acima do Olavo de Carvalho e vai cancelar sua conta.​

Para acessar a reportagem completa clique aqui!

Folha de S. Paulo.

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